Os melhores e os piores investimentos de 2010

dezembro 21, 2010 at 2:10 pm Deixe um comentário

Ouro, títulos indexados à inflação ou ao CDI e fundos de ações small caps se destacaram frente à queda da bolsa e do dólar

Julia Witgen, de Exame.com

O ano de 2010 foi marcado pela escalada da inflação, pelas eleições e pela insegurança em relação à recuperação econômica dos países desenvolvidos. Diante desse cenário, muitos investidores procuraram proteger seus investimentos em aplicações como o ouro e a renda fixa, ao mesmo tempo em que a bolsa amargou perdas.

No Brasil, os investimentos que conseguiram superar a inflação foram os títulos de renda fixa atrelados ao IPCA, que deve fechar o ano em 5,8%, ou aqueles ligados ao CDI. Para conter a economia aquecida, o Banco Central elevou os juros de 8,75% para 10,75% ao longo do ano, tendência que deve continuar em 2011. A poupança, por sua vez, quase não conseguirá superar a inflação, mas fechará o ano sem perdas reais.

Em paralelo, a bolsa não foi um bom investimento. Além do fortalecimento da renda fixa, a capitalização envolta de incertezas da Petrobras e a consequente desvalorização de mais de 30% nos papéis da estatal contribuíram para uma queda de 1,29% do Ibovespa neste ano. O bom desempenho de outras empresas do índice, como a Vale, impediram um tombo ainda maior. Com isso, os fundos de ações tiveram, em média, um desempenho bem fraco, e os multimercados se equilibraram na própria flexibilidade. Exceção para os fundos de ações small caps (de empresas com baixo valor de mercado), que viram uma valorização extraordinária em 2010.

No plano internacional, o crescimento da economia americana abaixo do esperado, o grande endividamento de alguns países europeus e o temor dos investidores em relação a uma nova crise levaram a uma forte desvalorização do dólar. Consequentemente, os investidores correram para o ouro, na tentativa de proteger suas aplicações, tornando o metal precioso o mais valorizado do ano.

Entretanto, especialistas acreditam que 2010 não foi um ano repleto de acontecimentos econômicos marcantes. “Este foi um ano com algumas oscilações, mas nenhuma significativa: sem grandes crises e sem muita euforia. Durante o ano inteiro houve altos e baixos, mas nada comparável aos três anos anteriores”, avalia Gilberto Poso, superintendente-executivo de Gestão de Patrimônio do HSBC.

Veja a seguir o desempenho das principais aplicações financeiras ao longo de 2010.

Ouro

O ouro foi a aplicação que mais se valorizou em 2010: nada menos que 37,10% até meados de dezembro. Essa alta é comum quando os investidores se sentem inseguros diante de ameaças de crises e conflitos, pois apostar no metal precioso protege as aplicações. Este ano, os investidores temiam uma nova crise mundial, frente ao grande endividamento de alguns países europeus (os chamados Piigs) e do crescimento americano abaixo do esperado. Outro problema foi a forte desvalorização do dólar, que usualmente puxa o preço das commodities para cima, como é o caso do ouro.

Embora até o pequeno investidor tenha acesso a investir no metal precioso, em geral esse tipo de proteção é procurado por grandes investidores preocupados com o desarranjo da economia global, visando a proteger seu poder de compra em dólar. Isso porque o valor do ouro está muito mais atrelado ao cenário econômico mundial que ao brasileiro, tendo crescido muito mais frente ao dólar que ao real.

Títulos públicos

Em ano de pressão inflacionária e perspectiva de aumento da taxa de juros, a renda fixa ganha atratividade. E das aplicações em renda fixa mais procuradas pelos investidores, os títulos públicos atrelados à inflação tiveram o melhor desempenho.

As Notas do Tesouro Nacional-série B (NTN-B), atreladas ao IPCA, foram as que tiveram o melhor desempenho entre os títulos que ainda são emitidos, principalmente no último trimestre. Só em novembro, o IPCA subiu 0,83%, puxado principalmente pelo aumento no preço das matérias-primas e pelo mercado interno aquecido. Com isso, as NTN-B foram os melhores títulos de renda fixa para quem quis se proteger da inflação. O papel mais negociado, aquele com vencimento para 15/05/2013, rendeu 12,95% até 16 de dezembro.

As Notas do Tesouro Nacional-série C (NTN-C), indexadas ao IGP-M não são mais emitidas, mas quem aplicou em um título desses no passado está satisfeito. As que vencem em 01/03/2011 acumularam alta de 17,29% este ano.

Entre os papéis atrelados à taxa de juros, os prefixados foram os que tiveram o melhor desempenho. São as Letras do Tesouro Nacional (LTN), de prazo mais curto, e as Notas do Tesouro Nacional-série F (NTN-F), de prazo mais longo. Esses papéis caminham em função da expectativa em relação à taxa de juros, ou seja, precificam o CDI futuro. O aumento da inflação ao longo do ano gerou uma expectativa de aumento da Selic ainda maior do que a alta que de fato ocorreu, o que acabou beneficiando quem aplicou nesses títulos.

Entre as LTNs, a valorização foi de 9,92% para as que vencem em 01/01/2011 e de 11,30% para as que vencem em 01/01/2012. No caso das NTN-Fs, a valorização foi de 9,94% para as que vencem em 01/01/2011, 11,34% para as que vencem em 01/01/2012 e 12,03% para as que vencem em 01/01/2013.

Finalmente, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), indexadas à Selic, precificaram o aumento real da taxa de juros. Para todos os vencimentos, a valorização da LFT acumulou, no ano, alta de cerca de 9,20% apenas, até 16 de dezembro.

Fundos de Renda Fixa

De acordo com dados da Anbima de 9 de dezembro, os fundos de renda fixa tiveram um desempenho um pouco melhor que os investimentos atrelados ao CDI, como os fundos DI e as LFTs, mas ainda um pouco abaixo das aplicações prefixadas, como as LTNs e NTN-Fs. A valorização média desses fundos no ano foi de 10,75%. Segundo Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos, a razão disso seria a presença de títulos prefixados que vencem mais cedo na carteira desses fundos. Uma LTN com vencimento para 2011, por exemplo, valorizou 9,92% no ano, ao passo que uma que vence em 2012 chegou a uma rentabilidade de 11,30% em 2010.

Fundos Referenciados DI

O desempenho dos fundos DI, de acordo com dados da Anbima de 9 de dezembro, foi de 9,20% ao ano em média, semelhante à rentabilidade das LFTs. Assim como esses títulos públicos, os fundos DI seguem o CDI e se beneficiaram do aumento da Selic ao longo do ano.

Fundos Multimercados

Os fundos multimercados não tiveram um desempenho particularmente brilhante este ano, mas sua flexibilidade para aplicar em diversos tipos de ativos fez com que, na média, eles tenham conseguido superar a inflação. Os que tiveram maior rentabilidade foram os Multimercados Macro, que renderam em média 11,23%, de acordo com dados da Anbima de 9 de dezembro. Nesses fundos, os gestores direcionam as aplicações de acordo com as mudanças no cenário macroeconômico. Assim, se a bolsa está caindo, a inflação está alta e as taxas de juros têm perspectiva de aumento, os recursos migram da renda variável para títulos prefixados ou atrelados à inflação sem o menor problema.

Os multimercados muito dependentes da renda variável e do dólar já não foram tão bem. Este ano, tanto o Ibovespa quanto a moeda americana tiveram rendimento negativo. A rentabilidade média anual ficou em 8,56% para os Fundos Multimercados Trading, 10,20% para os Multiestratégia, 9,46% para os Multigestor e 9,83% para os Multimercados Juros e Moedas. Todos esses fundos devem, em geral, fechar o ano abaixo do CDI, que costuma ser o seu benchmark.

Certificados de Depósitos Bancários (CDBs)

O CDB também acompanha o CDI e acabou se beneficiando da alta dos juros. Seu desempenho, no entanto, ficou abaixo de outras aplicações semelhantes, como as LFTs e os fundos DI, com rentabilidade média de 8,44% no ano, de acordo com dados do Banco Central de meados de dezembro.

Esse desempenho do CDB tem a ver com a facilidade dos bancos para captarem dinheiro no mercado este ano. “Com crédito fácil, não há porque pagar juros altos”, diz Alexandra Almawi, da Lerosa. Mas com a decisão do Banco Central de aumentar o compulsório, quantia que os bancos são obrigados a depositar no BC, as instituições financeiras serão obrigadas a recompor seu capital, oferecendo juros maiores para atrair investidores.

Poupança

Um cenário de alta de juros e inflação, como aconteceu este ano, só prejudica a poupança. A rentabilidade da aplicação em 2010 estava acumulada em 6,22% em meados de dezembro, quase não superando a inflação, que deve fechar o ano em torno de 5,8%. A caderneta de poupança só é vantajosa quando a taxa de juros tem menos de dois dígitos, e seu rendimento pode praticamente se igualar ao CDI.

Fundos de ações

O mau desempenho do Ibovespa este ano levou a média de rentabilidade dos fundos de ações a acumularem a pífia valorização de 4,45% em 2010, segundo dados de meados de dezembro. Os fundos que mais sofreram foram aqueles ligados ao índice ou aos papéis que tiveram maiores perdas. O pior desempenho ficou por conta dos Fundos Setoriais Privatização Petrobras, prejudicados pela queda de mais de 30% nos papéis da estatal este ano. Os fundos com recursos do FGTS despencaram 31,43%, e aqueles com recursos próprios recuaram 31,69%.

A grande exceção de 2010 foram os Fundos Small Caps, que aplicam em papéis de empresas menores e que nada tem a ver com o Ibovespa. Sua valorização foi de 16,80%.

Ibovespa

O Ibovespa foi o índice que mais sofreu este ano, com uma queda de 1,29% até meados de dezembro. Um dos motivos foi a perda de atratividade da bolsa em relação à renda fixa, com o aumento da inflação e da Selic. Com alguns títulos garantindo uma rentabilidade de quase 1% ao mês, o investidor não se sentiu instigado a correr para a renda variável.

Para Alexandra Almawi, da Lerosa, outro grande motivo foi a capitalização da Petrobras e o tombo de mais de 30% dos papéis da estatal ao longo do ano. “Os minoritários ficaram frustrados com a forma como a capitalização foi feita, a falta de compromisso em relação aos prazos, as regras”, diz Alexandra. A recuperação esperada para os papéis da empresa após o processo não ocorreu, e seu grande peso no Ibovespa influenciou decisivamente a desvalorização do índice.

A economista acredita que o temor de maior influência política na estatal não se concretizou em 2010, mas alertou para o fato de que essa questão deve pesar mais no ano que vem. Os investidores estrangeiros andariam mais desconfiados em relação à economia brasileira e às empresas que não demonstram muita governança. Nesse sentido, a Petrobras fica em desvantagem em relação a outras petroleiras do mundo, opções mais neutras politicamente na corrida pelos recursos dos investidores internacionais. “Nesse cenário, pode-se até dizer que o Ibovespa teve certo fôlego, pois poderia ter sido bem pior”, completa Alexandra.

Gilberto Poso, superintendente-executivo de Gestão de Patrimônio do HSBC, justifica o fato de o índice não ter caído ainda mais. “Algumas ações que compõem o Ibovespa tiveram um desempenho muito superior ao índice, o que ajudou a equilibrá-lo”, diz Poso. O melhor exemplo é a Vale, também com grande peso no Ibovespa, cujas ações preferenciais acumulam, este ano, alta de 16%.

Poso também cita dois outros motivos: a aversão generalizada dos investidores ao redor do mundo, devido ao temor gerado pelas crises na Europa, e a antecipação, para 2009, da valorização que as empresas brasileiras veriam em 2010. “Este ano houve uma confirmação dos resultados, nada muito além disso”, justifica o superintendente do HSBC.

Dólar comercial

A desvalorização do dólar foi a maior de 2010. No Brasil, a queda foi menor que no resto do mundo, acumulada em 1,44% em meados de dezembro. A compra de moeda americana pelo Banco Central se mostrou uma medida efetiva para conter a excessiva desvalorização do dólar frente à moeda brasileira.

Os investimentos estrangeiros no Brasil também contribuíram para que o tombo não fosse ainda maior. Os recursos globais foram atraídos para uma série de empreendimentos e até mesmo para a renda fixa, devido ao aumento da taxa de juros.

Anúncios

Entry filed under: Ações, aprender a investir em ações, Últimas, cursos de investimentos, Dicas, educação financeira, investidores iniciantes, investimentos em ações, mercado de ações, Notícias da Bolsa de Valores, Situação do mercado. Tags: , , , , , , , , , , , , , .

Agenda Econômica Semanal – 20 a 24 de dezembro. Veja quais sao as 10 notícias para lidar com os mercados nesta terça-feira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Dados econômicos

IBOV
Gráfico IBOV
Dow Jones
Gráfico Dow Jones
Treasuries Americanos
titulos do tesouro americano
Óleo
Gráfico óleo
Petrobrás (Petr4)
Vale5
Grafico vale
ADR-Vale(RIO-p)
Grafico vale
Níquel intraday
nickel
Bolsa na Ásia
BOLSAS NA ÁSIA

analise fundamentalista analise grafica de açoes análise gráfica análise técnica análise técnica de ações aplicar em ações aplicar na bolsa aplicar na bolsa de valores aprenda a investir em açoes aprender a aplicar na bolsa de valores aprender a investir em ações açoes açoes da bolsa de valores açoes em alta ações da Petrobrás ações de empresas brasileiras ações na bolsa BM&F Bovespa bolsa de valores Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa capitalização da Petrobras carteira de ações Comissão de Valores Mobiliários compra de ações compra e venda de açoes comprar ações comprar ações da petrobrás curso Análise Gráfica curso de investimentos em açoes curso gratis de açoes cursos de investimentos cursos de investimentos em ações Dow Jones economia americana economia norte-americana educação financeira fundo de ações fundos de investimentos ganhar dinheiro com ações ganhar dinheiro na bolsa home broker Ibovespa instituições financeiras investidor investidores investidores estrangeiros investimento de longo prazo investimento em ações investimento na bolsa de valores investimentos em ações investimentos na bolsa de valores investir em ações investir na bolsa investir na Bolsa de Valores investir no Mercado de Ações mercado acionário mercado de ações mercado de capitais mercado financeiro nasdaq novos investidores Oferta de ações da Petrobras o que é home broker pequeno investidor PETR4 preço das ações preços das ações queda das bolsas renda variável valorização das ações vender ações volatilidade do mercado Wall Street índice da bolsa de valores

%d blogueiros gostam disto: