Mesmo simples, códigos de opções podem levar investidor a erros

novembro 18, 2010 at 1:41 pm Deixe um comentário

Julia Ramos M. Leite, de Infomoney

Ao se deparar com o código USIML51, o investidor pode, facilmente, concluir que se trata de uma opção de compra das ações preferenciais da Usiminas (USIM5), com vencimento em dezembro e preço de exercício de R$ 51,00.

Apesar de parecer lógica, a conclusão está errada – e pode claramente acarretar em prejuízos para o investidor. Hugo Azevedo, superintendente da área de estratégia de investimentos da corretora Santander e autor do livro “ Investimentos em opções sobre ações no Brasil – Teoria e Prática”, explica que há quatro principais erros decorrentes da interpretação errônea dos códigos de opções.

As letras
Primeiramente, é preciso entender como é formado o código de uma opção. Basicamente, o código é composto por cinco letras e dois algarismos – como no exemplo inicial, USIML51.

As quatro primeiras letras – USIM – indicam a ação a qual a opção se refere. Aí pode surgir o primeiro problema: afinal, a Usiminas tem ações preferenciais e ordinárias (USIM3) negociadas na bolsa, assim como a Petrobras (PETR3, PETR4) e a Vale (VALE3, VALE5).

Apesar de a opção geralmente se referir a ação com mais liquidez – nesse caso, a preferencial -, a dedução não deve ser feita sem a checagem do ativo ao qual a opção se refere.

A letra seguinte, “L”, representa o tipo de opção – compra ou venda – e sua data de vencimento. As letras seguem uma regra da Bovespa (veja tabela abaixo) o L do exemplo mostra que esta é uma opção de compra, com vencimento em dezembro. Vale lembrar que o vencimento de opções se dá, geralmente, na terceira segunda-feira do mês em questão – nesse caso, essa data seria 20 de dezembro.

Os números
Apesar da possibilidade de erro com as letras do código, Azevedo destaca que o maior problema de todos é com os números, que são representativos do preço de exercício.

“No caso da USILK51, há poucas semanas a Usiminas sofreu o que chamamos de split – o preço dela foi dividido por dois porque para cada ação que você tinha você passou a ter duas ações”, explica Azevedo.

Assim, os 51 do código, que eram equivalentes a R$ 51,00, seriam divididos por dois e atualmente valeriam R$ 25,50, certo? Errado. “O exercício dela hoje é R$ 25,29, e não os R$ 25,50 teóricos porque a Usiminas distribuiu proventos, e eles são ajustados no preço de exercício”, ressalta o superintendente de estratégia da Corretora Santander.

“Se for um dividendo, 100% do dividendo é tirado do preço do exercício, mas se forem juros sobre o capital próprio, apenas 85% do valor do JCP bruto é retirado do preço de exercício”, afirma.

“Os algarismos podem confundir bastante o investidor, que pode pensar que está operando um determinado preço de exercício, que na verdade pode ser completamente diferente. Esse erro é bastante comum, e pode causar prejuízos”, diz Azevedo.

EUA ou Europa?
Outra possível dúvida que pode surgir é se aquela é uma opção americana ou européia. A diferença entre as duas é que o comprador de uma opção europeia pode exercê-la somente na data do seu vencimento, enquanto o investidor que adquiriu uma opção americana tem o direito de exercê-la até a data de vencimento – ou seja, em qualquer período de tempo compreendido entre a compra da opção e o prazo de vencimento.

“Pelo código, não tem como saber. Em alguns home brokers há um asterisco diferenciando, mas o código da bolsa é o mesmo. O investidor tem que checar”, aponta Azevedo.

Ele lembra que, para investidores mais experientes, esses erros não são comuns. “Isso não gera problemas recorrentes, porque as pessoas que estão acostumadas já sabem desses potenciais problemas e sempre estão se resguardando. Mas é um problema real para os novos entrantes no mercado de opções”, diz.

Ações ou opções?
Já Leonel Molero Pereira, professor de finanças do Insper e da FIA, aponta outro tipo de erro que pode ser cometido com os códigos de opções: o completo desconhecimento de que aquilo era uma opção.

“Já vi pessoas que se confundiram pensando que a opção era um ativo, como um unit – que também tem códigos meio complicados, diferentes”, diz o professor. Isso acontece, segundo ele, porque o investidor consegue comprar opções via home broker, da mesma forma que compra ações. “A pessoa olha o código da opção – como VALEK48, por exemplo – e pensa que é um ativo, não um derivativo”, explica.

Segundo Pereira, a confusão pode acontecer pela coincidência de se negociar os produtos no mesmo sistema, na maioria das vezes sem restrições às operações, como exigência de depósito de margem para opções, por exemplo.

O que pode agravar ainda mais esse tipo de erro, diz ele, é a grande volatilidade do mercado de opções. “Se a ação da Vale sobe 1%, a opção sobe 15%, 20%. Às vezes a pessoa não olha o histórico, olha a movimentação de um dia só, ou dos três últimos dias, fica impressionada com o retorno e compra, sem saber que aquilo é uma opção”.

O risco, nesse caso, é a movimentação do lado contrário – afinal, caso a ação caia 1% ao invés de subir, a tendência é que a opção também caia 15% ou 20%. “Aí vira pó e a pessoa não sabe por que”, resume Pereira.

Informação, informação, informação
Apesar de divergirem sobre os erros mais comuns relacionados aos códigos de opções, Pereira e Azevedo concordam quanto à solução: informação, informação, informação. “A recomendação é: informe-se antes de comprar, e não olhe só a rentabilidade. Vá atrás de informações sobre o que você está comprando”, frisa o professor. “Isso vale, claro, para qualquer ativo, não só opções”.

Da mesma forma, o superintendente de estratégia da corretora lembra que é de responsabilidade do investidor saber o que ele está operando – por isso, erros como os mencionados não podem ser consertados.

“Eu acho que não é um erro reversível, porque é de responsabilidade do investidor saber o que ele está operando, em que ele está dando a ordem. Se é via home broker, é uma informação que está disponível no sistema. Se ele está operando através de mesa, ele tem que confirmar com o operador”, explica.

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