Mesmo com IOF, Bolsa deve atingir 80 mil pontos em 2010

outubro 21, 2010 at 11:59 am Deixe um comentário

SÃO PAULO – Em dia tenso depois da repercussão da taxação de 6% do Imposto de Operações Financeiras (IOF) para investidores estrangeiros e aumento de 0,25% da taxa de juros chinesa, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu -2,61%, para 69.863 pontos.

“A Bolsa realizou lucros hoje [ontem] após vários pregões de alta, mas a tendência é do Ibovespa entre 75 mil e 80 mil pontos ao final do ano”, avalia o analista-chefe da Corretora Magliano, Henrique Cleine.

A opinião dele é compartilhada pelo diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso. “A Bolsa vai estar mais próxima dos 80 mil pontos no final do ano do que da faixa atual de 70 mil pontos, sobretudo porque o crescimento de 4,5% no PIB para 2011 traz conforto para o investidor”, prevê.

De acordo com Cardoso, o investidor estrangeiro vê boas perspectivas no Brasil. “O alto fluxo de liquidez nos Estados Unidos faz o investidor ter acesso a um capital muito baixo. Ele aceita tomar riscos em países atrativos como o Brasil”, explica o diretor.

Tanto Cardoso como Cleine justificam essa atratividade pelo volume de entrada de investimento estrangeiro na Bovespa neste ano, positivo em US$ 3 bilhões até o momento. c

Mas segundo ele, há distorção no mercado com a desvalorização mundial do dólar. “Tem investidor estrangeiro tomando empréstimo barato lá fora para investir aqui e fazer a troca de moedas”, diz Cleine.

Cardoso avalia que as medidas tomadas pelo Ministério da Fazenda são eficazes apenas no curto prazo. “Nesse momento, a medida é positiva, mas se tornará ineficaz no médio prazo pois o dólar está caindo mundialmente”, avalia o economista.

“A moeda americana subiu para R$ 1,687 nesta terça-feira, em parte por causa do IOF e em parte porque o dólar se valorizou em relação ao euro e ao dólar australiano”, determinou Cardoso.

O analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, também atribuiu a fatores externos as mudanças no câmbio e na Bolsa ontem. “O principal motivador da queda de hoje [ontem] foi a elevação da taxa de juros na China em 0,25% ao ano. Isso afetou o preço das commodities como grãos, petróleo e metais, o que não é bom para os exportadores”, avaliou Pedro Galdi.

O analista não vê riscos do aumento do IOF afetar a tendência de alta da Bolsa, mas conta que especulações de investidores temem uma taxação da Bovespa.

“A menos que o governo venha espantar o investidor estrangeiro da Bovespa, o cenário é de 80 mil pontos para o final do ano”, prevê.

BM&F Bovespa

De acordo com Pedro Galdi, o papel que foi mais afetado internamente com as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi justamente a ação da BM&F Bovespa. O papel caiu 3,17%, cotado a R$ 14,05, por conta da elevação de 0,38% para 6% da alíquota do IOF cobrada sobre a margem de garantia para os investimentos estrangeiros em derivativos no mercado futuro da BM&F.

A BM&F Bovespa, no entanto, informou, por meio de teleconferência com analistas promovida pelo Goldman Sachs e fechada à imprensa, que a medida tomada pelo Ministério da Fazenda não deve afetar as receitas da BM&F.

Essa avaliação foi feita pelo diretor executivo Financeiro e de Relações com Investidores da BM&F Bovespa, Eduardo Guardia, que participou, ao lado de outros executivos, da conferência.

Em relação ao aumento do imposto sobre o depósito de margem realizado por investidores estrangeiros nas operações com derivativos cambiais na bolsa, Guardia ressaltou que a taxação, válida a partir de ontem, não incide sobre o estoque de garantias atuais do segmento BM&F.

Para os novos contratos, no entendimento do executivo, as chamadas cartas de fiança, que respondem hoje por aproximadamente 5% do total de margens depositadas por estrangeiros, não são afetadas pelo aumento do IOF. “O impacto das medidas dependerá da capacidade dos investidores de buscar garantias no mercado local ou usar mais intensamente as cartas de fiança”, disse Eduardo Guardia.

O diretor da Bolsa afirmou ainda que o imposto maior não terá efeitos sobre os chamados high-frequency traders, porque esses investidores não possuem exposição estrutural comprada ou vendida no mercado.

Para Guardia, os contratos de derivativos negociados na bolsa brasileira que possivelmente podem ser atingidos pelas medidas do governo são os de câmbio e de taxa de juros. O executivo afirmou que a participação dos estrangeiros nesses dois contratos representam menos de 7% das receitas da BM&F Bovespa.

Questionado sobre o risco de o governo vir a aumentar a taxação sobre o investimento estrangeiro em ações, hoje em 2%, para conter a apreciação do real frente ao dólar, Guardia mencionou a intenção da Fazenda de poupar as negociações na Bovespa.

A China decidiu ontem elevar a taxa básica de juros de 5,31% para 5,56% ao ano, em uma iniciativa inesperada que teve o objetivo de conter a inflação e evitar uma mexida no câmbio. A medida derrubou as bolsas no mundo e provocou a valorização do dólar.

No Brasil, o dólar subiu 1,26%, a R$ 1,687 para venda, e a Bolsa fechou em queda de 2,61%. Os investidores projetam uma queda do preço das commodities e uma possível queda da demanda, o que derrubou as ações das gigantes brasileiras Vale e Petrobras.

Além disso, embora analistas defendam que a Bolsa deve fechar o ano aos 80 mil pontos, há um temor entre os investidores de que uma nova medida do governo para segurar o câmbio atinja os negócios na Bovespa. As ações da BM&F Bovespa caíram 3,17% ontem.

Apesar da reação negativa de ontem, analistas e agentes de mercado afirmam que ainda é atraente para os estrangeiros direcionar recursos ao Brasil. “Os balanços do terceiro trimestre das companhias brasileiras estão excelentes, o que assegura a entrada dos investidores”, justifica Henrique Cleine, analista-chefe da Corretora Magliano.

Os exportadores também não projetam grandes mudanças no câmbio com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras.

Empresários e economistas afirmam que o dólar deve até apresentar uma alta com a nova alta do imposto, e fechar o ano perto de R$ 1,73. Mas no médio prazo, os resultados da balança comercial devem piorar. Projeção feita pelos economistas de bancos no boletim Focus do Banco Central projeta um superávit da balança comercial de US$ 9 bilhões em 2011, contra uma projeção de quase US$ 16 bilhões para este ano.

E para agravar um pouco mais essa situação para os exportadores, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) concedeu ontem uma redução para 2% da alíquota do Imposto de Importação de 158 produtos, entre bens de capital, informática e telecomunicações.

A medida contempla importações no valor estimado de US$ 488,123 milhões nos próximos dois anos (que é o prazo de validade da redução das alíquotas), referentes a planos de investimentos de US$ 2,347 bilhões.

“Essas máquinas e equipamentos serão incorporados a unidades produtivas, dentro de investimentos para ampliação das fábricas brasileiras”, afirmou o secretário executivo da Camex, Helder Chaves.

Esses itens, que pagam hoje até 18% de imposto, passam a integrar um regime especial de produtos não produzidos no Brasil.

Fonte: DCI

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