Os trancos e barrancos da Bolsa de Valores

novembro 26, 2008 at 6:01 pm Deixe um comentário

Ana Borges

Excesso de ofertas públicas, promessas não cumpridas, crise internacional e desaceleração econômica. Motivos não faltam para justificar as fortes perdas das ações mais novas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Crise no setor imobiliário

Crise no setor imobiliário

No entanto, quando o assunto é perda, o setor imobiliário é destaque. Com as fortes quedas, o investidor individual que entrou na crença de que sairia ganhando em mais uma OPA (Oferta Pública de Ações) nada mais pôde fazer do que vender e realizar o prejuízo.

Segundo os dados da pesquisa realizada pelo Monitor Mercantil, dos 251.333 investidores pessoa física que ingressaram nas ofertas públicas de ações (OPAs) das companhias que abriram o capital, apenas 52.925 continuam em posse dos papéis. São quase 200 mil investidores a menos, em cerca de dois anos.

Excesso de aberturas
Muitos no mercado argumentam que não pode haver outro culpado senão o investidor, que não leu os prospectos e na ânsia de ganhar mais comprou qualquer ação sem avaliar os riscos. Mas, na realidade não faltam culpados para a sangria das OPAs do setor de construção civil.

“Houve o problema de excesso de aberturas de capital. Não estávamos preparados para este cenário de excesso de euforia. As empresas se adaptaram em um espaço muito curto de tempo e apresentavam problemas de governança”, conta professor Alexandre Di Miceli, coordenador executivo do Centro de Estudo em Governança Corporativa (CEG) da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Com o crescimento do número de ofertas, o investidor também se tornou menos seletivo e daí que deriva sua parcela de culpa. “Muitos que investiram em ações nem sabiam o que estavam comprando. Não fizeram uma avaliação mais aprofundada do risco. Numa situação de crise, os riscos dessas empresas aumentam”, ressalta Di Miceli.

Risco no prospecto
O sócio da Nova Financial, Eduardo Barros, vai mais além. “As empresas escreveram seus prospectos de acordo com as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As informações estavam à disposição e não se pode culpar a empresa”, defende. Ele acrescenta que nos prospectos as empresas já declaravam a intenção de comprar terrenos. “O risco estava no prospecto. No mercado acionário, o investidor está sujeito ao risco e à crise financeira. O investidor deve pensar no longo prazo na hora de aplicar o dinheiro. É preciso ter a informação”, complementa.

Outro lado
Se o investidor tem sua parcela de culpa, o sistema como um todo tem uma responsabilidade muito maior quando o assunto são perdas nas ofertas públicas. Di Miceli, que tem realizado estudos sobre o assunto, define a situação: “a culpa é coletiva”. Mesmo que um investidor tivesse todo o interesse e estudasse os prospectos de capa a capa, poderia embarcar em um investimento falho. Além de problemas de governança, uma crise financeira totalmente inesperada, há outro problema: a responsabilidade das instituições financeiras que foram responsáveis pela oferta.

Nos prospectos, as empresas falavam dos cenários e projeções de investimento. Apesar de haver uma parte do documento que aborda os riscos, não fica claro o quanto aquele cenário é factível. Ao mesmo tempo, houve uma forte pressão das instituições financeiras para a abertura de capital. O movimento chegou a ponto de o Credit Suisse decidir dar crédito para que empresas como Agrenco crescessem e, logo em seguida, buscassem o mercado de capitais.

O problema é que, nestes casos o próprio Credit era o coordenador da emissão de ações. “Ocorreram diversos casos em que havia conflitos de interesses”, lembra o professor. Como o banco que está coordenando a oferta vai definir o preço justo da empresa, se tem ações ou dívidas desta companhia?

Papel do analista
Outro caso de conflito de interesses está relacionado às análises. Enquanto os analistas deveriam ser imparciais ao avaliar uma empresa pós-OPA, muitas vezes, acabavam esbarrando em limitações. No mesmo caso da Agrenco, o único analista que cobria a empresa em seu dia-a-dia era do Credit Suisse. Quando a empresa passou a apresentar problemas o especialista ainda mantinha a recomendação de compra. Resultado: as ações “viraram pó”.

Faltou também a possibilidade de que especialistas pudessem traduzir os prospectos para os clientes. Com a Lei do Silêncio, a CVM não permitia que nenhum analista das corretoras participantes da oferta pudesse falar sobre a empresa durante a colocação dos papéis ou emitir um relatório. “A Lei do Silêncio está sendo discutida e deve ser revista pela CVM”, lembra o professor da Fipecafi.

Pressa
“Os bancos buscavam as empresas para aproveitar a janela de oportunidade. Mas é preciso saber que a adaptação de uma estrutura familiar para uma companhia aberta demora. Os processos foram apressados”, diz Di Miceli. Diante da rapidez muitas deixaram falhas nas análises a respeito das políticas de gestão de risco e governança.

A visão era de que para entrar no mercado era apenas mostrar que cumpria as regras do Novo Mercado. “Ao invés de passarem por mudanças profundas, abrir capital virou um checklist do Novo Mercado. Assim, muitas empresas se mostraram frágeis e arriscadas. É natural que as ações tenham caído. Em alguns casos o CEO se confundia com a figura do diretor financeiro e RI. Também ocorreram problemas com partes relacionadas”, resume Di Miceli.

Além disso, a maior parte das companhias do setor de construção civil projetou taxas de crescimento bem acima do factível. Os planos eram e crescer rapidamente. Mas não houve estudos sobre a viabilidade deste crescimento e sustentabilidade. “As previsões eram otimistas demais, para não dizer frágeis”, destaca.

Mau exemplo
A experiência negativa de um é transmitida para o maior número possível de investidores. A fragilidade e as perdas causadas pelas novas companhias tendem a prejudicar novas captações futuras no mercado. “Problemas como esses passam uma mensagem negativa para o investidor e podem acabar inviabilizando que outras empresas boas ingressem no mercado”, ressalta o professor. Ele lembra que a tendência é de uma maior rigidez das regras de forma a retomar a confiança do investidor nas ofertas públicas e impedir um novo “trauma no mercado”

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