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De olho na liquidez
Saiba como ver se uma ação tem boa liquidez no mercado
A maior preocupação do pequeno investidor é como distribuir seus recursos entre as diversas possibilidades de investimento, preservando seu capital, e a possibilidade de em uma emergência ter como sacar os recursos rapidamente.
A esta preocupação o mercado financeiro chama de “Liquidez”, e que não só o pequeno investidor, mas todo e qualquer um, procura ter. A intenção aqui é chamar a atenção para a liquidez nas aplicações em ações.
Quando se compra uma ação ou se pretende montar uma carteira de ações, o investidor precisa saber se o mercado está trabalhando dentro da média histórica de liquidez dos últimos 12 a 18 meses. Isto porque a baixa liquidez proporciona aos grandes investidores maior poder de manipulação do mercado.
Entenda-se manipulação como sendo parte das regras do “jogo”, e não algo ilícito. O prazo para a média histórica pode parecer longo, mas os últimos exemplos de crises e choques econômicos ao redor do mundo justificam.
Após verificar o mercado, a escolha do(s) papel(s) também deve passar pelo mesmo critério, isto é, saber se este é negociado todo o dia, em que quantidade, e em quantos negócios. O primeiro ponto é se em qualquer dia há a precificação da ação(s), assim o investidor sabe a cada acontecimento econômico-financeiro-político, como o mercado reagiu no preço daquela(s) ação(s).
O segundo ponto é quantas ações são negociadas por dia, para que o investidor saiba que a qualquer momento a quantidade por ele comprada pode ser vendida sem a distorção por pressão de venda.
E o terceiro ponto é quantos negócios são feitos por dia com aquela(s) ação(s). Esta última variável permite ao investidor saber se a formação do preço é dentro do mercado, ou por alguns poucos investidores, que se retirarão do mercado ao primeiro sinal de venda.
O nosso mercado de ações vem sofrendo uma concentração dos negócios, devido à saída de várias empresas do mercado e a transferência dos negócios para outros países aonde os custos de transação são menores e a incidência de impostos também. E isto é prejudicial ao pequeno investidor que se sente inseguro.
Logo para que se tenha um mercado forte deve-se dar importância ao pequeno acionista, que com apoio de informações e novas regras pode dar sustentação a uma recuperação do mercado nacional.
Mauro Giorgi é analista da Novação Corretora de Valores
Add comment Novembro 15, 2008
Investidores contam o que aprenderam com a crise na Bovespa
Os sucessivos “tombos” da Bovespa, acompanhados de raros momentos de euforia, têm tirado o sono dos pequenos investidores que apostaram no mercado de ações e amargam prejuízos com o fim do ciclo de valorização causado pela crise financeira internacional: em 2008, o principal índice da bolsa paulista já caiu 43%.
Atraídas pelos últimos cinco anos de alta do Ibovespa (que saltou dos 11.268 pontos, em 2002, para 63.886, em 2007), muitas pessoas físicas colocaram dinheiro em renda variável recentemente. Segundo números da Bovespa, considerados os meses de setembro, o número de investidores individuais cresceu de 284,5 mil, em 2007, para 527,6 mil, neste ano.
Para muitos desses investidores, o sobe-e-desce recente nas bolsas em todo o mundo é uma experiência inesperada e um exercício de paciência indesejado por quem só queria rendimento maiores. Por isso, o G1 entrevistou investidores que sentiram na pele – e no bolso – os efeitos da “montanha russa” financeira. Eles contam o que aprenderam com a crise financeira.
Saída definitiva
O representante comercial Dorival dos Santos, 59 anos, tirou R$ 2 mil da renda fixa para aplicar em um fundo de ações da Vale e da Petrobras. “Eles me mostraram o quanto as ações tinham subido no ano passado, e eu pensei: vou colocar alguma coisa só para ver como funciona.”
O objetivo, segundo Dorival, era usar o rendimento para comprar uma televisão LCD no final do ano. Mas o sobe-e-desce esgotou a paciência do investidor. Há cerca de 15 dias, decidiu pegar o dinheiro de volta antes que a situação ficasse pior: resgatou R$ 1,3 mil. “Foi sufoco, resolvi tirar porque senão não ia comprar nem um chicletinho.”
O que aprendeu: “Eu não entro mais. É um mercado legal para quem tem disponibilidade, para quem gosta de sofrer, é ótimo. Eu prefiro uma coisa mais light.”
Diversificação
O empresário Franklin Toassa, 25 anos, começou a investir em ações há cerca de dez meses. Optou por diversas formas de renda variável: um fundo de ações escolhidas por uma corretora, um fundo de papéis da Vale e Petrobras e ações que comprou pelo home broker. Ele estima que, até agora, tenha perdido cerca de R$ 6 mil.
Toassa diz que superou o nervosismo das perdas porque não tem planos de usar o dinheiro aplicado no curto prazo. Apesar disso, lamenta não ter aplicado parte das economias em investimentos que pudesse resgatar em caso de necessidade. “A gente não espera uma super queda dessas.”
O que aprendeu: “A diversificar mais. Eu colocaria dinheiro em outras coisas também para ter mais liquidez. Ação é para longo prazo.”
Mudança de estratégia
O economista Rodrigo Nogueira, de 25 anos, começou a operar na Bovespa na época das “vacas gordas”, em 2004. Ainda estudante, aplicou R$ 500 e entrou e saiu diversas vezes do mercado financeiro, aproveitando a tendência de alta. Aos poucos, aumentou o montante aplicado.
O economista diz que, no balanço dos quatro anos em que aplica no mercado financeiro, já está no negativo. Não desistiu, no entanto, de investir em bolsa. Pelo contrário: diz que agora aposta no longo prazo e que não fará parte do “efeito manada”, em que investidores saem da bolsa por conta das perdas.
Por acreditar que o certo é “comprar na baixa e vender na alta”, o economista voltou à Bovespa recentemente, quando o índice chegou aos 40 mil pontos. Para se proteger, trocou ações mais arrojadas – e arriscadas – por papéis tradicionais.
O que aprendeu: “O jeito é “esquecer do dinheiro por um tempo (…) A estratégia é tentar diminuir esse prejuízo, tem que ter frieza nesses momentos.”
Influência do gerente
O assessor jurídico Renato Pires, 34 anos, nem tinha interesse no mercado de ações. Estava feliz com os seus R$ 40 mil aplicados na velha poupança. Entrou em março, seguindo recomendação de seu irmão mais novo, gerente de banco, que recomendou investimento em um fundo que cobria perdas de até 12%.
Como a desvalorização do mercado superou o valor garantido pelo banco, ele já acumula perdas de R$ 8,5 mil. “Vou esperar até março, quando empatar eu vou sair. Já disse para o meu irmão que, se eu precisar do dinheiro nesse tempo, ele vai ter que me pagar a diferença.”
O que aprendeu: “Se fosse hoje eu não aplicaria de novo, deixaria lá na conta-poupança. É um mercado que tem influência de acontecimentos mundiais. Você está investindo em uma coisa sobre a qual você não consegue controlar tudo.”
Mais informação
O economista Leandro Marques, 25 anos, não é novato no mercado de ações: começou a investir há cinco anos e já enfrentou os altos e baixos do mercado. Nada parecido, no entanto, com os efeitos da crise financeira atual.
Até agora, ele estima ter perdido cerca de 30% de seus investimentos. “Eu só tinha vivido realizações normais, de crise política, essas coisas. Você nunca imagina que vai passar pela pior crise desde 1929”, diz.
Embora ainda acredite no mercado de ações e esteja tranqüilo porque quer usar o dinheiro apenas na aposentadoria, ele acredita que poderia ter ficado mais atento aos indícios da gravidade da crise e, quem sabe, vendido alguns papéis antes do aprofundamento da baixa.
O que aprendeu: “Daqui pra frente vou ficar mais atento para este tipo de noticiário (o econômico internacional). Se estivesse mais informado, talvez pudesse ter comprado menos. Isso serve de lição.”
Add comment Outubro 18, 2008


