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Apesar de crise, investimento estrangeiro em setembro é 2º maior da história
Por EDUARDO CUCOLO – Folha Online
Os investimentos estrangeiros no setor produtivo do país atingiram em setembro o segundo maior resultado da série histórica do Banco Central, iniciada em 1947.
Segundo dados do BC, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 6,258 bilhões no mês passado, atrás apenas do resultado registrado em junho do ano passado (US$ 10,3 bilhões).
Já os investimentos em carteira (no mercado financeiro) registram um saída de US$ 1,246 bilhão. Houve uma perda de US$ 1,877 bilhão no mercado de ações e uma entrada de US$ 632 milhões em renda fixa.
No ano, os investimentos produtivos somam US$ 30,8 bilhões e o capital estrangeiro no mercado está positivo em US$ 16,9 bilhões. Do investimento em ações, resta apenas US$ 1,17 bilhão no país. No ano passado, foram investidos US$ 26,2 bilhões em ações.
Em outubro, já entraram no país US$ 3 bilhões em investimentos produtivos e o BC prevê encerrar o mês com US$ 3,5 bilhões, acima da média de US$ 2 bilhões registrada nos últimos tempos.
“Esses ingressos que estão sendo registrados agora são decisões que podem ter sido tomadas lá atrás. No investimento direto, o olhar é sempre de longo prazo”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
No mercado financeiro, o BC registrou saída de US$ 4,394 bilhões em ações do país até 23 de outubro. Na renda fixa saíam US$ 842 milhões.
Vulnerabilidade externa
Os dados de investimentos estrangeiros fazem parte do relatório do setor externo do BC, que mostra também uma saída de dinheiro por meio das transações correntes, que incluem as contas de serviços e rendas e a balança comercial.
As transações correntes do Brasil com o exterior, importante indicador que mede a vulnerabilidade externa do país, registrou déficit de US$ 2,769 bilhões em setembro, resultado pior que o registrado no mês de agosto (US$ 1,09 bilhão).
Com isso, o resultado negativo acumulado no ano já chega a US$ 23,264 bilhões –no mesmo período de 2007, o resultado era um superávit de US$ 3,6 bilhões, segundo dados do Banco Central.
O Brasil não registrava déficit nas suas transações correntes desde 2002. Mas o aumento das remessas de lucros para o exterior e a queda no saldo da balança comercial mudaram esse resultado.
Remessas de lucros
A conta de transações correntes é formada pelo superávit da balança comercial (US$ 19,7 bilhões no ano), pelas transferências unilaterais (US$ 2,84 bilhões) e pelos serviços e rendas (-US$ 45,7 bilhões).
A principal diferença em relação ao ano passado é o superávit menor da balança comercial, devido ao aumento das importações, e o aumento das remessas de lucros e dividendos das multinacionais, que somaram US$ 3,45 bilhões em setembro e US$ 28,2 bilhões no ano.
“A expectativa era de acomodação nessas remessas, mas houve um aumento no final do mês. Ela decorreu de necessidade de recursos devido ao acirramento da crise”, afirmou Altamir.
Ele afirmou que essas remessas devem cair, devido à redução na lucratividade das empresas estrangeiras no país, entre outros fatores. Nos 23 primeiros dias de outubro, saíram do país US$ 1,126 bilhão.
Dentro da contas de serviços e rendas destacam-se também os gastos dos brasileiros em viagens internacionais, que atingiram US$ 1,124 bilhão em setembro e US$ 8,9 bilhões no ano.
Fonte: Folha Online
Add comment Novembro 12, 2008
Bolsa: investimento, jogo ou especulação?
A grande maioria das pessoas, quando perguntadas se investem na Bolsa de Valores, diz que não o faz porque se trata de um jogo. Este conceito ficou, infelizmente, gravado no imaginário popular.
Vamos discutir um pouco estas três situações.
O que entendemos por jogo, é uma decisão envolvendo aporte de dinheiro, onde o aplicador não tem controle algum sobre o resultado a ocorrer, e não dispõe de informações suficientes que lhe permitam tomar uma decisão acertada. Deste modo, escolhe aleatoriamente um modo de atuar e apostar dinheiro nela. Um exemplo são os cassinos, onde se colocam fichas em números de roletas, em cartas de baralho ou em máquinas de jogar, apostando de forma impensada baseada no chamado “feeling” ou intuição.
Há também os jogos das loterias onde as pessoas tendem a jogar baseadas também em intuições, sonhos ou premonições.
A especulação é um tipo de jogo mais pesado onde pessoas investem dinheiro atuando por vezes com conhecimento de causa sobre o alvo especulado, mas sem uma certeza de que irá ocorrer o que foi planejado. Podemos citar a especulação em compras antecipadas de mercadorias agrícolas que ainda estejam em um processo de maturação final. Uma variação climática não previsível pode colocar tudo a perder.
Finalmente temos o chamado investimento, onde as pessoas estudam situações conhecidas e com base em dados passados e projeções futuras, tomam suas decisões de investimento. Neste caso podemos enquadrar o investimento em ações.
Há, entretanto, uma certa confusão entre especular e investir, quando se refere a ações. Em virtude do retorno do investimento em ações ser desconhecido previamente e variável, as pessoas confundem este investimento com jogo ou especulação. Vejamos essas diferenças.
No caso do jogo, o jogador, está totalmente desprovido de qualquer informação para atuar. Baseia seus atos tão somente em intuições que ocorrem via inconsciente. É quase um cara ou coroa.
A palavra especulação quando aplicada ao investimento em ações, vem carregada de um tom pejorativo, tentando destruir a possibilidade de ganho que a aplicação oferece. Ocorre, que quando se faz uma aplicação em títulos de renda fixa ou em uma aplicação imobiliária, estamos também especulando, no sentido de antever resultados positivos. Nada garante que uma aplicação em renda fixa possa trazer retorno real. Se ela ficar abaixo da inflação, e isto não é incomum, haverá prejuízo. O fato de sabermos antecipadamente quanto iremos ganhar, não tira o caráter especulativo do processo. Idem quando se faz uma aplicação em imóveis julgando que teremos lucro na aplicação. Pode ocorrer um imprevisto e transformar o esperado lucro em prejuízo.
Vistos estes ângulos em relação a jogos e investimentos ditos certos, voltemos nossas lentes para o investimento em ações.
Investir na Bolsa não é como jogar em um cassino; neste as chances de ganho se reduzem a 5% dos participantes ou do volume negociado. E no cassino só há jogo, onde não se tem controle da situação.
Diferentemente de um cassino, as Bolsas se diferenciam por serem centros de liquidez de ações, onde compradores e vendedores se encontram todos os dias para investir ou desinvestir seus recursos. As bolsas são instituições regulamentadas e controladas por órgãos públicos (no caso brasileiro pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM e pelo Banco Central do Brasil – BCB), visando a lisura dos negócios de modo a preservar os direitos dos aplicadores.
Investir em ações de empresas negociadas na Bolsa de Valores é um processo simplificado de investir em uma lanchonete, em uma franquia, etc. Em todos os casos, há necessidade de se fazer análises do negócio/empresa de modo a se ter dados que permita um investimento mais seguro. Não são investimentos baseados em intuições ou sonhos, mas processos baseados em análises prévias.
Quando os chamados capitalistas vão desembolsar dinheiro em um novo projeto, realizam estudos para se certificarem de que existe chance de retorno naquela aplicação. O mesmo tem que ser feito quando se investe em Bolsa. Há necessidade de se conhecer dados sobre as empresas nas quais se pretende investir bem como verificar o comportamento das ações negociadas nas bolsas.
O grande problema é que o investidor iniciante trata a aplicação em ações da mesma maneira que os jogadores dos cassinos. Baseia-se em sentimentos, dicas, intuições para aplicar seus recursos. Quase sempre este caminho leva a perdas. Aí o investidor diz que a Bolsa é para os grandes, para os manipuladores, e acaba se afastando desta alternativa altamente rentável no longo prazo.
O caminho para o sucesso é um só, como em qualquer coisa na vida: estudar, aprender e entender as regras deste mercado. Sobre este assunto leiam meu artigo “Investidor precisa aprender a aplicar em ações”
A Bolsa é lugar de bons investimentos. Jogo e especulação nos cassinos ou nas lotéricas.
Humvberto dos Santos é economista e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)
Add comment Outubro 11, 2008
Como escolher suas ações e fazer o melhor investimento
Existem duas técnicas mais conhecidas na avaliação de ações.
Uma delas é a chamada análise fundamentalista, que consiste em avaliar, como o próprio nome sugere, os fundamentos da empresa. Neste modelo de análise busca-se fazer um levantamento detalhado das informações e dados da empresa (análise de balanço, contabilidade, estilo de gestão, entre outras). Analisa-se ainda o setor a qual a empresa pertence, potenciais mercado e todas as informações que possam ser relevantes e que de alguma forma venham a refletir no comportamento do preço das ações. É um dos modelos mais aceitos e difundidos.
A outra é a análise técnica (grafista), que realiza projeções baseada no comportamento passado dos preços da ação, ou seja, seu histórico de desempenho.
É com base nessas duas análises que especialistas tomam suas decisões de investimentos, e que as corretoras se norteiam para indicar a compra ou a venda de alguma ação.
É bom lembrar que a seleção de uma carteira de ações requer uma técnica muito sofisticada, e que são analisadas muitas variáveis que afetam o preço destas ações. Para ter sucesso nessa empreitada, é importante que escolha um parceiro (corretora ou home broker) que atenda suas expectativas como investidor e que ofereça informações constantes sobre seus investimentos.
Mas é bom lembrar que o principal interessado é o investidor, e, portanto, cabe a você se manter sempre bem informado para tomar as melhores decisões.
Antes de comprar uma ação, preste atenção:
Não aplique o dinheiro que pode precisar no curto prazo. Investimentos em ações são recomendados para quem tem objetivos de longo prazo, e são indicados para diversificar seu patrimônio;
Assim, seja rigoroso no planejamento financeiro. É importante que tenha capacidade de cumprir o planejado;
Reavalie sistematicamente seus objetivos. Eles podem mudar ao longo do tempo, e seus investimentos devem sempre acompanhar estas mudanças;
Esteja preparado para momentos de crise do mercado;
Diversifique sempre. Não aplique todos os seus recursos no mercado acionário muito menos em uma única ação.
Fonte: Anbid
Add comment Setembro 30, 2008



