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Com cortes nos juros, banco vê perspectiva positiva para ações da América Latina
Embora esperada, a flexibilização da política monetária nos países latino-americanos tem acontecido mais cedo e mais intensamente do que o estimado por muitos analistas, como é o caso do Bank of America-Merrill Lynch. Ainda esperando uma queda de pelo menos 150 pontos-base nas taxas da região, a instituição vê perspectiva positiva para os mercados acionários no curto e médio prazo.
Os argumentos dos analistas para tal avaliação são dois. Primeiro, o movimento de flexibilização das taxas combate a atividade econômica mais fraca, sendo que o consumo doméstico e os investimentos liderarão a recuperação econômica esperada para 2010, reforçando uma perspectiva de longo prazo positiva.
Em segundo lugar, o banco cita o fluxo de fundos domésticos, já que taxas básicas de juro menores devem se tornar catalisadoras de médio prazo para a alocação de recursos de fundos em ações, a partir de 2010.
Cautela em relação a certos setores
Apesar dessa visão otimista, o Bank of America-Merrill Lynch faz ressalvas quanto a alguns segmentos. “Nós permanecemos cautelosos em relação à perspectiva para os setores ligados a consumo doméstico e para companhias com alta alavancagem financeira na América Latina”, informam os analistas.
Dentre os riscos para as empresas ligadas a consumo doméstico estão o enfraquecimento das finanças do consumidor e da renda disponível, devido à deterioração dos mercados de trabalho, ao aumento do engessamento dos orçamentos familiares e às despesas com juros, refletindo empréstimos tomados para financiar bens, veículos e imóveis.
Já as companhias com alta alavancagem enfrentam a ameaça de um crescimento econômico menor e uma tendência de escolha de empresas com folhas de balanço mais fortes.
Para os analistas, a continuidade de um cenário pessimista para os mercados de crédito impede os consumidores e as empresas de se beneficiarem de termos de financiamento baratos, ofuscando a eficiência de taxas de juro menores.
Política monetária X Mercados
Dia de decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) é dia de ficar atento na direção da política monetária brasileira, com expectativas de início de um ciclo de flexibilização das taxas por aqui. Enquanto a avaliação do Bank of America-Merrill Lynch mostra otimismo com a tendência, o banco publicou uma análise de correlação dos ciclos de corte com a performance dos índices acionários.
“Os mercados acionários apresentaram retornos positivos durante os ciclos de flexibilização monetária recentes na América Latina: no Brasil (2005 – 2007), no Chile (2001-2004) e no México (2005 – 2006). Porém, nos três países, as taxas básicas de juro apresentam baixa correlação com as ações”, informam os analistas.
Dessa forma, a recomendação é de que os investidores utilizem a política monetária mais como um barômetro do que como um indicador de como será a performance futura das bolsas latino-americanas.
Correlação no Brasil
Entre 2005 e 2007, o País passou por uma época em que a expectativa de inflação para 12 meses caiu de 4,9% para 3,8% e a taxa Selic caiu de 19,75% para 11,25% ao ano. Nesse período, as empresas do setor de consumo, materiais básicos e financeiro tiveram performance acima da média, impulsionadas pela queda do juro básico, pelo crescimento econômico e pelo boom dos preços das commodities.
De acordo com essa análise, o Brasil é o país com o coeficiente de correlação mais alto, de -0,34, com poder de explicação de 12%. No país, os setores com coeficiente mais alto são energia & saneamento e telecomunicações, que chegam perto de -0,40, com poder de explicação de 16%. Do lado oposto, materiais básicos e petróleo são os únicos segmentos cujos coeficientes ficam abaixo de -0,30, com poder de explicação de 9%.
Add comment Janeiro 22, 2009
Mercado financeiro vive momento de otimismo com proximidade da posse de Obama

Posse do presidente dos EUA dá tranquilidade ao mercado financeiro
O mercado financeiro internacional tem vivido um otimismo repentino desde as festas de fim de ano, diante da proximidade da posse de Barack Obama e isso tem se refletido no Brasil. É o que apontam analistas do setor, entrevistados hoje (7) pela Agência Brasil.
Do dia 2 ao dia 6 de janeiro, por exemplo, o Ibovespa, índice que reúne as 66 principais ações negociadas no país, teve valorização de 12,6% somando 42.312 pontos. Ontem (6), o governo brasileiro captou US$ 1 bilhão no mercado internacional, que passou os últimos seis meses com escassez de linhas de crédito, e hoje voltou a obter US$ 25 milhões no mercado asiático.
Mas os analistas destacam que, apesar dos investidores darem mostras de que recuperaram a confiança no sistema financeiro desde o final do ano passado, o primeiro semestre de 2009 ainda pode ser marcado pela instabilidade nas bolsas de valores.
No acumulado de 2008, o Ibovespa recuou em 41,2%, com 37.550 pontos, ante uma alta de 43,6% em 2007. A última vez que os negócios encerraram o ano em queda tinha sido em 2002 (17%).
O resultado do ano passado certamente está associado ao pânico que se espalhou mundo afora após os desdobramentos da crise financeira iniciada nos Estados Unidos e que ganhou seu ápice, no último trimestre do no passado.
Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) indicam que o maior giro financeiro, em 2008, ocorreu em 13 de agosto, quando foi alcançado volume de R$ 13,05 bilhões com valorização do índice em 14,66%, também recorde no ano. Já a menor movimentação ocorreu no dia 26 de dezembro último (R$ 1,1 bilhão).
Na análise da economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, o repentino otimismo dos investidores está relacionado às expectativas em torno da nova gestão do governo norte-americano.
No final de 2008, Obama solicitou um aumento de recursos ao Congresso norte-americano mesmo antes de tomar posse. O novo presidente norte-americano assume no próximo dia 20.
De acordo com a economista, surgiram notícias no últimos dias sobre a possibilidade de que os investimentos norte-americanos possam ultrapassar a R$ 1 trilhão e isso causou empolgação. “Ele [Obama] tem surpreendido o mercado com o anúncio desses investimentos”, acentuou a economista. Na prática, isso significa aumento dos gastos públicos em infra-estrutura (rodovias, ferrovias, saneamento, etc), gerando emprego e renda.
Além disso, o mercado se animou com a decisão de Obama de cortar impostos e, por meio dos incentivos fiscais, colocar um fim à desconfiança do mercado, permitindo maior circulação da moeda e, conseqüentemente, do aumento na oferta de crédito.
“Com a retomada do dinamismo da economia norte-americana, isso puxa as demais economias”, disse ela, lembrando que a intenção de aumentar os gastos públicos não é exclusividade dos norte-americanos, exemplo que vem sendo seguido por outros países da Europa e da Ásia.
Para Alessandra, o Brasil deve se beneficiar com o novo quadro que começa a se desenhar porque, em situação de risco, os investidores migram para a compra de títulos das economias mais desenvolvidas e, se não há mais o temor de antes, a tendência é de um retorno do capital estrangeiro.
Isso explica em parte a valorização do real frente o dólar de 9,2%, no período compreendido entre 29 de dezembro e os primeiros quatro dias de 2009.
Só no dia de ontem (6), o Brasil conseguiu captar um volume de US$ 1 bilhão no mercado internacional com juros de 5,8% e resgate para 10 anos, observou o economista Luis Jurandir Simões, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras). “De outubro para cá, houve uma fuga dos investidores para os títulos norte-americanos como forma de proteção”, lembrou ele.
Simões avalia que o potencial brasileiro na movimentação das commodities (soja, minério de ferro e petróleo, dentre outros) já é um sinal das chances de avanço na economia porque seja qual for a crise, o mundo continuará necessitando de alimentos e outros produtos fornecidos pelo Brasil como o aço, por exemplo. O que emperra a aceleração da atividade produtiva, pondera, “é alto peso da carga tributária”.
Ele destacou que aos poucos as empresas estão voltando a obter crédito e que isso evidencia uma melhora da economia. No entanto, adverte que o ritmo “não vai voltar aos patamares que existia antes da crise”.
Luis Jurandir também não acredita que será repetida a euforia dos investidores no mercado de ações e que levou à pontuação máxima do Ibovespa a 73.616, em 20 de maio do ano passado.
Add comment Janeiro 7, 2009
Apesar de tudo, aumentam os investidores

Mais investidores estão cada vez mais atentos
Mesmo no momento atual que é de grande volatilidade para a renda variável, o mercado de ações continua atraindo investidores. O mais interessante é que são pessoas físicas.
De acordo com o último balanço divulgado pela BM&F Bovespa, o número de investidores de varejo saltou de 456.557, em todo ano de 2007, para 548.706 no acumulado de 2008. De outubro para novembro deste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo ganhou 6.564 novos investidores.
Isso acontece porque o brasileiro está aprendendo cada vez mais sobre o mercado de ações e aprendendo a aplicar também, está atento às notícias e se preparando cada vez mais com livros e cursos.
O novo investidores já se conscientizou dos riscos e também que ações são investimentos de longo prazo indicadas para formação de patrimônio e não para ganho fácil no curto prazo.
É certo que no início as pessoas começam a investir em ações apenas porque vêem exemplos de outras pessoas que ganharam algum dinheiro e por isso pssam a dar atenção maior.
Para especialistas, os programas de popularização da Bolsa são bastante democráticos, em razão dos diferentes perfis de pessoas que buscam informações sobre o mercado de capitais. Um dos exemplos é o Bovespa vai até você, que leva a Bolsa de Valores até os cidadãos.
Add comment Dezembro 11, 2008
Como está o mercado para os investidores não-profissionais
Investir em ações não é para qualquer pessoa: é preciso ter o coração forte para agüentar as oscilações comuns em qualquer Bolsa de Valores. Contudo, a atual crise financeira internacional tem exigido doses extras de autocontrole dos investidores “comuns” (que não trabalham no mercado financeiro), que já viram o dinheiro aplicado reduzir-se consideravelmente desde meados de setembro, quando as turbulências se agravaram.
É o caso do funcionário público aposentado Artur Barbosa Horta, 68 anos, que investe na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) há 20 anos. Horta, que começou a comprar ações com o intuito de garantir uma aposentaria tranqüila, teria um grande prejuízo caso vendesse seus papéis hoje. “Em relação há um ano, meu prejuízo seria de R$ 1 milhão”, calcula. O aposentado acompanha com preocupação a desvalorização da Bolsa paulista, cujas perdas acumuladas desde setembro já esbarram nos 40%. “Nunca houve uma crise igual. É a mais grave desde quando comecei a aplicar em ações. Essa foi para valer”, comenta Horta.
A apreensão de Horta é compartilhada pelo professor universitário Marco Antonio Picon, que aplica na Bovespa há cerca de cinco anos. O professor, que prefere não falar em valores, estima que perdeu mais da metade do capital investido desde que a crise se acentuou.
“Na verdade, deixei de ganhar, porque não realizei o prejuízo. Mas caso vendesse, perderia 55% do total investido. Por isso, acompanho os pregões diariamente, para evitar mais perdas”, afirma.
Os prejuízos sofridos por Horta e Picon podem assustar os ”marinheiros de primeira viagem”, que arriscaram parte de suas economias em um tipo de aplicação marcada pela volatilidade. Mas a recomendação dos especialistas se resume a uma palavra: paciência.
Segundo o gestor da área de Economia e Ciências Contábeis da USCS (Universidade São Caetano do Sul), Francisco Funcia, a Bolsa tem, historicamente, movimentos de altas e baixas e funciona como um termômetro do que está acontecendo nos mercados e do grau de confiança dos agentes econômicos. “Em momentos como esse, ela oscila bastante. Então, quem investiu parte dos seus recursos para um complemento de aposentadoria no futuro precisa ter paciência”, aconselha.
O professor de Finanças do curso de Administração da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) José Roberto Ferreira Savoia concorda com Funcia. “As pessoas que não venderam ações até o momento devem permanecer com elas porque agora caíram a um nível bastante baixo. Quem tem como esperar e levar o investimento a um longo prazo deve aguardar, pois a perspectiva é de uma retomada das Bolsas”, avisa.
Já para aqueles que compraram ações na época em que estavam valorizadas, com o intuito de obter lucros rápidos, o conselho é outro. “As pessoas que eventualmente tentaram aproveitar a onda altista que vinha acontecendo no primeiro semestre deste ano e compraram ações com o objetivo de curto prazo, talvez valha a pena vendê-las agora para o prejuízo não ser ainda maior”, pondera Funcia. “De qualquer forma, o conselho geral é: quem puder, não deve mexer”, orienta.
Papéis seguros – É natural que os investidores sofram com o atual momento de incerteza, pois até aqueles que investiram em ações seguras, como a das empresas Vale e Petrobras, já vêem acumular os prejuízos.
Isso porque, quando a crise se instalou, derrubou as exportações de commodities [matérias-primas como petróleo, negociadas no mercado internacional] — setor a que pertencem essas empresas. Com isso, quem investiu nesse setor, migrou para aplicações mais seguras. E o valor desses tipos de ações caiu.
Entretanto, mesmo com a atual desvalorização, o professor de Economia Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Evaldo Alves ainda considera promissor o investimento nesses papéis. “Essas são as ações que vão se recuperar mais rapidamente. Elas serão sempre uma boa alternativa porque são papéis de setores que sempre vão ser necessários, como alimentação e energia. O que não é o caso de ações de empresas de bens dispensáveis, como automóveis e eletrodomésticos”, explica Alves.
Compra – Ao contrário do que muitos possam imaginar, o momento de crise pode ser uma boa oportunidade para se comprar ações, que estão com os preços consideravelmente mais baixos.
“É um bom momento para comprar, mas apenas se a pessoa pensar em longo prazo. As ações não foram feitas para especular, e sim para quem pretende ter um investimento com boa rentabilidade pensando no futuro, no complemento da aposentadoria”, explica o professor da USCS Francisco Funcia.
A recomendação de Funcia é seguida à risca pelo professor universitário Marco Antonio Picon. “Nesse momento, não penso em vender minhas ações. Pelo contrário, estou comprando mais papéis, pois acredito que a economia vai se recuperar. Bolsa é um investimento de longo prazo”, considera.
O funcionário público aposentado Artur Barbosa Horta também acredita na recuperação dos mercados. “Não tenho dúvida, isso é só uma questão de tempo. Aliás, se eu tivesse algum valor disponível hoje, compraria mais ações”, comenta.
Mas os economistas alertam que, antes de se arriscar, é necessário conhecer a dinâmica do mercado. “Quem não conhece e não tem tempo de acompanhar, certamente não é uma boa hora para começar”, avisa o professor da FGV Evaldo Alves.
“Primeiro, as pessoas precisam formar um entendimento. Só depois é que devem destinar uma parcela de seus recursos para a renda variável e fazer isso com muito cuidado”, acrescenta o economista da FEA/USP José Roberto Ferreira Savoia.
Carolina Lopes – Do Diário OnLine
Add comment Outubro 27, 2008
Investidores contam o que aprenderam com a crise na Bovespa
Os sucessivos “tombos” da Bovespa, acompanhados de raros momentos de euforia, têm tirado o sono dos pequenos investidores que apostaram no mercado de ações e amargam prejuízos com o fim do ciclo de valorização causado pela crise financeira internacional: em 2008, o principal índice da bolsa paulista já caiu 43%.
Atraídas pelos últimos cinco anos de alta do Ibovespa (que saltou dos 11.268 pontos, em 2002, para 63.886, em 2007), muitas pessoas físicas colocaram dinheiro em renda variável recentemente. Segundo números da Bovespa, considerados os meses de setembro, o número de investidores individuais cresceu de 284,5 mil, em 2007, para 527,6 mil, neste ano.
Para muitos desses investidores, o sobe-e-desce recente nas bolsas em todo o mundo é uma experiência inesperada e um exercício de paciência indesejado por quem só queria rendimento maiores. Por isso, o G1 entrevistou investidores que sentiram na pele – e no bolso – os efeitos da “montanha russa” financeira. Eles contam o que aprenderam com a crise financeira.
Saída definitiva
O representante comercial Dorival dos Santos, 59 anos, tirou R$ 2 mil da renda fixa para aplicar em um fundo de ações da Vale e da Petrobras. “Eles me mostraram o quanto as ações tinham subido no ano passado, e eu pensei: vou colocar alguma coisa só para ver como funciona.”
O objetivo, segundo Dorival, era usar o rendimento para comprar uma televisão LCD no final do ano. Mas o sobe-e-desce esgotou a paciência do investidor. Há cerca de 15 dias, decidiu pegar o dinheiro de volta antes que a situação ficasse pior: resgatou R$ 1,3 mil. “Foi sufoco, resolvi tirar porque senão não ia comprar nem um chicletinho.”
O que aprendeu: “Eu não entro mais. É um mercado legal para quem tem disponibilidade, para quem gosta de sofrer, é ótimo. Eu prefiro uma coisa mais light.”
Diversificação
O empresário Franklin Toassa, 25 anos, começou a investir em ações há cerca de dez meses. Optou por diversas formas de renda variável: um fundo de ações escolhidas por uma corretora, um fundo de papéis da Vale e Petrobras e ações que comprou pelo home broker. Ele estima que, até agora, tenha perdido cerca de R$ 6 mil.
Toassa diz que superou o nervosismo das perdas porque não tem planos de usar o dinheiro aplicado no curto prazo. Apesar disso, lamenta não ter aplicado parte das economias em investimentos que pudesse resgatar em caso de necessidade. “A gente não espera uma super queda dessas.”
O que aprendeu: “A diversificar mais. Eu colocaria dinheiro em outras coisas também para ter mais liquidez. Ação é para longo prazo.”
Mudança de estratégia
O economista Rodrigo Nogueira, de 25 anos, começou a operar na Bovespa na época das “vacas gordas”, em 2004. Ainda estudante, aplicou R$ 500 e entrou e saiu diversas vezes do mercado financeiro, aproveitando a tendência de alta. Aos poucos, aumentou o montante aplicado.
O economista diz que, no balanço dos quatro anos em que aplica no mercado financeiro, já está no negativo. Não desistiu, no entanto, de investir em bolsa. Pelo contrário: diz que agora aposta no longo prazo e que não fará parte do “efeito manada”, em que investidores saem da bolsa por conta das perdas.
Por acreditar que o certo é “comprar na baixa e vender na alta”, o economista voltou à Bovespa recentemente, quando o índice chegou aos 40 mil pontos. Para se proteger, trocou ações mais arrojadas – e arriscadas – por papéis tradicionais.
O que aprendeu: “O jeito é “esquecer do dinheiro por um tempo (…) A estratégia é tentar diminuir esse prejuízo, tem que ter frieza nesses momentos.”
Influência do gerente
O assessor jurídico Renato Pires, 34 anos, nem tinha interesse no mercado de ações. Estava feliz com os seus R$ 40 mil aplicados na velha poupança. Entrou em março, seguindo recomendação de seu irmão mais novo, gerente de banco, que recomendou investimento em um fundo que cobria perdas de até 12%.
Como a desvalorização do mercado superou o valor garantido pelo banco, ele já acumula perdas de R$ 8,5 mil. “Vou esperar até março, quando empatar eu vou sair. Já disse para o meu irmão que, se eu precisar do dinheiro nesse tempo, ele vai ter que me pagar a diferença.”
O que aprendeu: “Se fosse hoje eu não aplicaria de novo, deixaria lá na conta-poupança. É um mercado que tem influência de acontecimentos mundiais. Você está investindo em uma coisa sobre a qual você não consegue controlar tudo.”
Mais informação
O economista Leandro Marques, 25 anos, não é novato no mercado de ações: começou a investir há cinco anos e já enfrentou os altos e baixos do mercado. Nada parecido, no entanto, com os efeitos da crise financeira atual.
Até agora, ele estima ter perdido cerca de 30% de seus investimentos. “Eu só tinha vivido realizações normais, de crise política, essas coisas. Você nunca imagina que vai passar pela pior crise desde 1929”, diz.
Embora ainda acredite no mercado de ações e esteja tranqüilo porque quer usar o dinheiro apenas na aposentadoria, ele acredita que poderia ter ficado mais atento aos indícios da gravidade da crise e, quem sabe, vendido alguns papéis antes do aprofundamento da baixa.
O que aprendeu: “Daqui pra frente vou ficar mais atento para este tipo de noticiário (o econômico internacional). Se estivesse mais informado, talvez pudesse ter comprado menos. Isso serve de lição.”
Add comment Outubro 18, 2008
Chove nos EUA e respinga no mundo inteiro
E não é que o macaquinho do post anterior tinha razão em continuar assustado? Os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foram suspensos por 30 minutos nesta quarta-feira, depois que o principal índice da bolsa caiu 10 por cento, acionando automaticamente o circuit breaker.
O índice Ibovespa, aprofundou as perdas do dia na última hora de negócios, acompanhando a deterioração do mercado acionário americano. Às 16h59, na mínima do dia até então, o Ibovespa perdia 14,81%, aos 35.411 pontos. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 7,87%, a maior desde outubro de 1987, segundo informações preliminares. O Nasdaq perdeu 8,47% e o S&P-500 declinou 9,04%.
O pessimismo no mercado deve-se ao medo de que o mundo esteja à beira ou mesmo esteja já efectivamente em recessão. O crescente temor de uma recessão mundial voltou a afetar as Bolsas nesta quinta-feira, levando Tóquio a registrar o pior resultado em duas décadas e deixando a Europa em queda livre pelo segundo dia consecutivo, depois da quarta-feira de perdas históricas em Wall Street.
As quebras que foram registradas ontem surgem após a divulgação de alguns dados nos EUA que dão conta de um decréscimo de 1,2% nas vendas a do varejo em setembro. Os investidores estão reagindo às declarações do presidente da Federal Reserve, Ben Bernanke, que afirmou que mesmo com a estabilização dos mercados, a recuperação nos EUA não vai acontecer de forma imediata.
A economia americana vai se recuperar, porém lentamente. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo presidente do Fed, o banco central americano. Ele garantiu que a economia do país sairá fortalecida da crise. Bernanke disse que os problemas na economia e nos mercados “são grandes e complexos”. Mas acrescentou que agora os Estados Unidos já dispõem das ferramentas necessárias para enfrentar as dificuldades.
Mercadinho nervoso, hein? O ilustre quis dar uma palavra de confiança na recuperação do mercado financeiro e deixou todo mundo nervoso. Literalmente.
Add comment Outubro 16, 2008
Recuperação ou mais perdas? Rumo das bolsas está nas mãos do Congresso dos EUA
Falar da crise financeira é quase que redundante. Quando se pensa que as nuvens que pairam sobre Wall Street irão se dissipar, ventos trazem mais nebulosidade à praça financeira mais importante do globo. Após concordata do Lehman Brothers, socorro à AIG, atuação conjunta dos bancos centrais no mundo, entre outros eventos que mexeram com os investidores nos últimos dias, nesta semana que se passou, o foco ficou com o pacote anti-crise.
Nada menos que US$ 700 bilhões devem ser desembolsados pelo governo norte-americano para adquirir os ativos podres que vêm impactando os balanços contábeis das principais instituições financeiras. Ao menos, esta é a intenção de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA e grande arquiteto das dimensões do pacote.
Mas Paulson não está sozinho na expectativa de aprovação do pacote. “A despeito das dificuldades imprevistas, a crença é que o plano de socorro seja de fato aprovado, possivelmente com algumas modificações implementadas de última hora”, afirma Sidnei Nehme, da NGO Corretora de Câmbio. A perspectiva é compartilhada pela maior parte do mercado.
“Acredito sim que o Congresso norte-americano vá liberar o uso dos recursos”, afirma, em visão semelhante, Rossano Oltramari, sócio e analista da XP Investimentos. “E com o aval dos congressistas, o clima deve aos poucos se amenizar e as bolsas devem encontrar uma janela de recuperação”, arrisca.
“Cautela não faz mal a ninguém”
Todavia, um pouco de cautela não faz mal a ninguém. Tendo em vista a resistência que o pacote vem enfrentando, ironicamente, na bancada republicana, não se pode descartar a possibilidade de que o pacote não seja liberado. “Neste cenário, veremos uma escalada do stress nos mercados, com os negócios sendo abalados no mundo”, alerta Oltramari.
Por sua vez, Sidnei Nehme, da NGO Corretora de Câmbio, enxerga com olhos pessimistas o recente desempenho do mercado brasileiro. “Os movimentos parecem absolutamente descolados de qualquer fundamento sustentável. A queda atual é maior do que as repercussões no exterior”, observa.
De fato, a única certeza nos últimos tempos é de continuidade das incertezas, advindas das mais diversas esferas, inclusive da macroeconômica. Prova disso foi o crescimento anualizado do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no segundo trimestre do ano, que nesta sexta-feira, revelou-se bem menor que o esperado.
Nesse sentido, entre os indicadores previstos para os próximos pregões, Oltramari destaca os relativos ao nível de atividade econômica, como o ISM Index, e o Relatório de Emprego. Mas ressalva: “embora possa impactar de certa forma os mercados, a agenda econômica tem ficado para segundo plano frente à magnitude do desenrolar da crise”.
O câmbio
Por fim, o investidor deve manter-se de olho também nas flutuações do mercado de câmbio, principalmente após os prejuízos revelados pela Sadia e pela Aracruz nesta sexta-feira. “Acredito que tenham sido casos isolados. Mas não custa nada ficar atento aos comunicados corporativos”, afirma Oltramari.
“A forte deformação na taxa cambial é altamente prejudicial aos negócios reais da economia e causa enormes prejuízos às empresas importantes que buscam a utilização de mecanismos legítimos nos segmentos do mercado de câmbio futuro”, explica Nehme, que acredita que as recentes oscilações na trajetória do dólar tenham forte cunho especulativo no mercado futuro.
Traçar projeções focadas ao curto prazo no atual momento de extrema turbulência é tarefa difícil, para não dizer impossível. “Talvez uma cartomante dê palpites mais precisos”, ironiza Oltramari. A prerrogativa é ainda mais válida no mercado de câmbio, reconhecidamente um dos mais instáveis.
Todavia, Oltramari acredita que o real deva, no médio e longo prazo, retomar sua trajetória de fortalecimento em relação à moeda norte-americana. “Os recentes movimentos são especulativos e devem se comportar apenas como uma correção”, afirma.
Add comment Setembro 28, 2008



