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Por que o investidor se incomoda tanto com a volatilidade?
A quarta-feira (5) conduziu os investidores de volta à realidade de um mundo em crise: forte queda das bolsas e muita volatilidade. A exemplo de outubro, quando o índice Vix – referência de volatilidade no mercado norte-americano – bateu recordes históricos, o terceiro pregão de novembro foi marcado por retornos bastante distantes da média.
Em princípio, uma distribuição com caudas gordas, ou seja, de uma quantidade razoável de observações longe da média, não deveria causar maior espanto no investidor. Afinal, ganhar R$ 5,00 e depois R$ 15,00 é, em termos de retorno, equivalente a receber R$ 10,00 por duas vezes.
Portanto, assumindo neutralidade ao risco, não há por que se preocupar com um mercado mais volátil. Manter-se indiferente a essa variável, porém, é algo questionável e, por isso, é recorrente esperarmos algum grau de aversão ao risco.
O que é isso?
Formalmente, aversão ao risco implica uma função utilidade individual côncava. Isso quer dizer que a satisfação pessoal do investidor aumenta conforme ampliam-se seus retornos, mas as taxas do incremento são decrescentes.
Imagine-se morto de sede no meio do deserto. O primeiro copo de água lhe proporciona muita satisfação. O segundo também o deixa mais feliz, mas o ganho marginal é menor. O copo seguinte oferece uma adição ainda menor ao seu bem-estar.
Levando o argumento ao universo das finanças, ficaríamos muito felizes se partíssemos de R$ 100 mil para R$ 1 milhão e ainda mais contentes se chegássemos a R$ 1,9 milhão. No entanto, o ganho, em termos de satisfação pessoal, seria maior no primeiro processo do que no segundo.
Relação com a volatilidade
Trazendo a lógica para o contexto da volatilidade, diante de dois portfólios – um cujo retorno é sempre R$ 10,00 e outro que rende, na média, R$ 10,00 e apresenta uma distribuição simétrica em torno desse valor – o investidor avesso ao risco escolhe o primeiro.
Qual a racionalidade da escolha? No segundo caso, quando o investidor ganha R$ 11,00, ele fica mais feliz do que quando recebe R$ 10,00. Entretanto, quando lucra R$ 9,00 fica ainda mais triste – justamente pelo argumento de que a satisfação cresce conforme os retornos, mas a taxas decrescentes. Ou seja, a tristeza causada pela perda de R$ 1,00 (R$ 10,00 – R$ 9,00) é maior do que o benefício proporcionado pelo ganho de R$ 1,00 quando nos movemos de R$ 10,00 para R$ 11,00.
Se sua felicidade aumenta menos quando toma o décimo oitavo copo de água, opte sempre pelas carteiras menos voláteis.
Add comment Novembro 6, 2008
Ações: em meio à turbulência, visão de longo prazo potencializa ganhos
A crise no sistema financeiro norte-americano influenciou os mercados de todo o mundo, levando a bruscas oscilações no Ibovespa, que iniciou a semana passada com -7,59%, o menor patamar desde 11 de setembro de 2001, e terminou a mesma semana em +9,57%, a maior alta desde 15 de janeiro de 1999. Em um momento de incertezas e de alta volatilidade como este, mais do que insegurança e medo, deve-se ter em mente a idéia de que a renda variável é um investimento de longo prazo, destinado a acumular um patrimônio para o futuro
“Vale lembrar que a rentabilidade apresentada considera a queda dos últimos meses, pois estamos considerando o preço de 09/09/2008, quando a bolsa estava em pouco acima de 48 mil pontos”, explicam os analistas do INI.
Quanto menor o tempo, maiores são as perdas
Mesmo em um cenário pessimista, com a bolsa atingindo somente os 38 mil pontos, para uma carteira com 39 ações, todas elas teriam ganhos superiores a 20% ao anos, se o investidor estivesse há mais de dez anos no mercado. Os bons resultados vão decrescendo à medida em que diminui o tempo de permanência na bolsa. Considerando um período de 2 anos e 9 meses, do último dia útil de 2005 até setembro de 2008, e também 48 ações, 36 teriam apresentado rentabilidade acima de 20% e três, queda. “Mesmo não sendo um dos prazos mais longos, já deixa o investidor menos vulnerável às oscilações de momento”, avaliam novamente os analistas do instituto.
Quando o prazo de investimento cai para 1 ano e 9 meses, com início no último dia útil de 2006, 14 das 48 empresas listadas teriam rentabilidade negativa. Em contrapartida, algumas delas renderiam mais de 30%. No curto prazo (apenas 9 meses), por sua vez, não seria possível obter nenhum ganho. Mesmo empresas com fundamentos sólidos apresentaram quedas de mais de 30%. “Nesses períodos mais curtos, o fundamento da empresa parece ser ofuscado pelos riscos sistêmicos, que derrubam qualquer ação, indiscriminadamente”, afirma a entidade.
“Não raro vemos pessoas reclamando de ações que não subiram nos últimos 6 meses, em 6 semanas ou até em 6 dias. São prazos curtos demais para bolsa de valores”, comentam os analistas, apontando o que consideram ser o comportamento mais adequado a quem coloca as economias no mercado de ações: “investir pouco e sempre, por um longo período de tempo, e em empresas com boas perspectivas de crescimento”.
Formação de patrimônio e racionalidade
Essa relação da bolsa com formação de patrimônio de longo prazo é reforçada até mesmo por quem não lida diretamente com o mercado financeiro. “Devia ter alguém no mercado que não deixasse ninguém sem essa noção de prazo investir em ações”, afirma a psicanalista e representante no Brasil do Iarep (International Association for Research in Economic Psychology), Vera Rita de Mello Ferreira.
Para o especialista da Cedro Finance, Moacir Zamin, o conhecimento é outro atributo essencial ao investidor do mercado de ações. “A bolsa não é lugar para amadores”, afirma, enfatizando a importância de se buscar o maior número de informações possível e também conhecimento teórico, para ingressar e se manter nesse tipo de investimento, já que ninguém, nunca, saberá tudo.
Para que esse processo de atualização do aprendizado não se reverta contra o próprio investidor, ele deve vir acompanhado da uma dose de racionalidade, segundo Vera Rita. “Mais uma vez, por conta da predominância do lado emocional, é comum que as pessoas fiquem atentas apenas ao que interessa, ou seja, dividam a informação em partes e descartem aquilo que causa desprazer ou provoque frustração”, comenta. Embora de um ponto de vista diferente, Zamin ressalta a importância do controle das emoções. “Um dos maiores inimigos dos investidores é, muitas vezes, a própria ganância”.
Add comment Setembro 28, 2008

