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Como está o mercado para os investidores não-profissionais

Investidores precisam avaliar bem as possibilidades e tendências do mercado de ações

Investidores precisam avaliar bem as possibilidades e tendências do mercado de ações

Investir em ações não é para qualquer pessoa: é preciso ter o coração forte para agüentar as oscilações comuns em qualquer Bolsa de Valores. Contudo, a atual crise financeira internacional tem exigido doses extras de autocontrole dos investidores “comuns” (que não trabalham no mercado financeiro), que já viram o dinheiro aplicado reduzir-se consideravelmente desde meados de setembro, quando as turbulências se agravaram.

É o caso do funcionário público aposentado Artur Barbosa Horta, 68 anos, que investe na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) há 20 anos. Horta, que começou a comprar ações com o intuito de garantir uma aposentaria tranqüila, teria um grande prejuízo caso vendesse seus papéis hoje. “Em relação há um ano, meu prejuízo seria de R$ 1 milhão”, calcula. O aposentado acompanha com preocupação a desvalorização da Bolsa paulista, cujas perdas acumuladas desde setembro já esbarram nos 40%. “Nunca houve uma crise igual. É a mais grave desde quando comecei a aplicar em ações. Essa foi para valer”, comenta Horta.

A apreensão de Horta é compartilhada pelo professor universitário Marco Antonio Picon, que aplica na Bovespa há cerca de cinco anos. O professor, que prefere não falar em valores, estima que perdeu mais da metade do capital investido desde que a crise se acentuou.

“Na verdade, deixei de ganhar, porque não realizei o prejuízo. Mas caso vendesse, perderia 55% do total investido. Por isso, acompanho os pregões diariamente, para evitar mais perdas”, afirma.

Os prejuízos sofridos por Horta e Picon podem assustar os ”marinheiros de primeira viagem”, que arriscaram parte de suas economias em um tipo de aplicação marcada pela volatilidade. Mas a recomendação dos especialistas se resume a uma palavra: paciência.

Segundo o gestor da área de Economia e Ciências Contábeis da USCS (Universidade São Caetano do Sul), Francisco Funcia, a Bolsa tem, historicamente, movimentos de altas e baixas e funciona como um termômetro do que está acontecendo nos mercados e do grau de confiança dos agentes econômicos. “Em momentos como esse, ela oscila bastante. Então, quem investiu parte dos seus recursos para um complemento de aposentadoria no futuro precisa ter paciência”, aconselha.

O professor de Finanças do curso de Administração da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) José Roberto Ferreira Savoia concorda com Funcia. “As pessoas que não venderam ações até o momento devem permanecer com elas porque agora caíram a um nível bastante baixo. Quem tem como esperar e levar o investimento a um longo prazo deve aguardar, pois a perspectiva é de uma retomada das Bolsas”, avisa.

Já para aqueles que compraram ações na época em que estavam valorizadas, com o intuito de obter lucros rápidos, o conselho é outro. “As pessoas que eventualmente tentaram aproveitar a onda altista que vinha acontecendo no primeiro semestre deste ano e compraram ações com o objetivo de curto prazo, talvez valha a pena vendê-las agora para o prejuízo não ser ainda maior”, pondera Funcia. “De qualquer forma, o conselho geral é: quem puder, não deve mexer”, orienta.

Papéis seguros – É natural que os investidores sofram com o atual momento de incerteza, pois até aqueles que investiram em ações seguras, como a das empresas Vale e Petrobras, já vêem acumular os prejuízos.

Isso porque, quando a crise se instalou, derrubou as exportações de commodities [matérias-primas como petróleo, negociadas no mercado internacional] — setor a que pertencem essas empresas. Com isso, quem investiu nesse setor, migrou para aplicações mais seguras. E o valor desses tipos de ações caiu.

Entretanto, mesmo com a atual desvalorização, o professor de Economia Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Evaldo Alves ainda considera promissor o investimento nesses papéis. “Essas são as ações que vão se recuperar mais rapidamente. Elas serão sempre uma boa alternativa porque são papéis de setores que sempre vão ser necessários, como alimentação e energia. O que não é o caso de ações de empresas de bens dispensáveis, como automóveis e eletrodomésticos”, explica Alves.

Compra – Ao contrário do que muitos possam imaginar, o momento de crise pode ser uma boa oportunidade para se comprar ações, que estão com os preços consideravelmente mais baixos.

“É um bom momento para comprar, mas apenas se a pessoa pensar em longo prazo. As ações não foram feitas para especular, e sim para quem pretende ter um investimento com boa rentabilidade pensando no futuro, no complemento da aposentadoria”, explica o professor da USCS Francisco Funcia.

A recomendação de Funcia é seguida à risca pelo professor universitário Marco Antonio Picon. “Nesse momento, não penso em vender minhas ações. Pelo contrário, estou comprando mais papéis, pois acredito que a economia vai se recuperar. Bolsa é um investimento de longo prazo”, considera.

O funcionário público aposentado Artur Barbosa Horta também acredita na recuperação dos mercados. “Não tenho dúvida, isso é só uma questão de tempo. Aliás, se eu tivesse algum valor disponível hoje, compraria mais ações”, comenta.

Mas os economistas alertam que, antes de se arriscar, é necessário conhecer a dinâmica do mercado. “Quem não conhece e não tem tempo de acompanhar, certamente não é uma boa hora para começar”, avisa o professor da FGV Evaldo Alves.

“Primeiro, as pessoas precisam formar um entendimento. Só depois é que devem destinar uma parcela de seus recursos para a renda variável e fazer isso com muito cuidado”, acrescenta o economista da FEA/USP José Roberto Ferreira Savoia.

Carolina Lopes – Do Diário OnLine

Add comment Outubro 27, 2008

No Orkut, internautas trocam opiniões sobre a crise na Bolsa de Valores

O dólar sobe, as bolsas caem e o internauta que investe em ações encontra na rede social Orkut um lugar para trocar experiências, buscar dicas ou simplesmente desabafar durante a crise financeira.

A Bovespa, que até esta quarta (8) registrava queda de 47% desde seu ápice, em maio, é o principal tema das comunidades.

Grupos como ”Ações! Bovespa me deixa louco!”, “Bovespa: eu torço” e “Só me ferro na Bovespa” trazem relatos de investidores preocupados com os rumos da economia e, claro, das próprias aplicações.

Com mais de 1.300 membros, a comunidade “Ações! Bovespa me deixa louco!” conclama os investidores “de plantão e de araque” a se reunirem.

“Se você sempre entra e sai na hora certa, ou, assim como eu, normalmente nunca sabe a hora de comprar ou vender… seja bem vindo”, diz Bruno Girardi, criador da comunidade.

O fórum de discussão tem seções como ”Fundo do poço” e “Os EUA vão salvar os bancos, mas quem salva os EUA?”. Em 1º de julho, quando um internauta acusava uma queda repentina da Bovespa, os participantes respondiam indicando temor de que a economia chegasse ao ”fundo do poço”. Outros, porém, diziam acreditar na recuperação.

Cerca de três meses depois, a Bovespa é afetada pela crise mundial e uma das usuárias comenta na comunidade: “E pensar que ao criar este tópico pensávamos que era

Dicas e táticas
Outras comunidades procuram discutir as causas da crise, enquanto acompanham a flutuação das cotações. Nos grupos “Economia e Finanças” (31.500 membros) e “Mercado Financeiro” (9.700 membros) é comum encontrar termos técnicos e dúvidas de usuários sobre a melhor solução de investimentos.

Reprodução

Comunidade ‘Bovespa: Eu torço!’ está cadastrada na categoria ’religião e crenças’ (Foto: Reprodução)

Em “Economia e Finanças” a discussão mais agitada é “Crise imobiliária: hoje nos EUA, amanhã, aqui”. Com uma mensagem em 19 de setembro, pouco depois da quebra do banco Lehman Brothers, um usuário começa a discussão dizendo que “vai demorar muito até o mercado voltar ao equilibrio, se é que isto acontecerá”.

As mensagens mais recentes discutem as relações da crise norte-americana com o Brasil e avaliam se imóveis e veículos seriam alternativas ao investimento em ações.

Mas, apesar de tantas dicas, os moderadores deixam claro que não existem regras infalíveis. Em “Mercado Financeiro” a mensagem de boas vindas do criador alerta: ”Não me reponsabilizo por nenhuma perda de capital causada pela utilização de uma estratégia ou opinião exposta neste grupo”.

Quer uma dica? Conheça o curso em DVD sobre investimento em ações da empresa KaemeBrasil. Custa R$ 87,00 e você pode pagar em 3X no cartão de crédito. Ou seja, não precisa de um alto lucro para comprar o DVD e, por outro lado, você poderá obter vários esclarecimentos e dicas de como investir melhor na Bolsa de Valores.

Fonte: G1

Add comment Outubro 13, 2008


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